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BATATAES DE OUTR’ORA

Praça prinicipal de Batatais   Matriz Batatais

Um pouco da rica história da cidade de Batataes (atualmente Batatais) que mostra a influência da família “Ferreira da Rosa” na vida da cidade, desde os seus primórdios no início do século 19, como um arraial, até meados do século vinte, ocasião em que poucos descendentes da família lá residiam.
O Capitão Antônio Ferreira da Rosa e sua mulher Maria Teodora de Jesus (bisavós paterno de José Feliciano) foram os fundadores desta família no Brasil. Ele era natural da Freguesia de Nossa Senhora da Boa Nova, Ilha do Pico, Arquipélago dos Açores, Portugal e ela natural de São João Del Rey, MG, onde se casaram em 1ª de outubro de 1791. Originalmente se estabeleceram em Coqueiral, MG e posteriormente migraram definitivamente para Batataes.
Fragmentos do livro Bom Jesus da Cana Verde – BATATAES DE OUTR’ORA de autoria de Jean de Frans, pseudônimo do ilustre batataense José Augusto Fernandes, relatando situações pitorescas e fatos relevantes ocorridos em Batataes, ligados a Família Ferreira da Rosa.
Os fragmentos abaixo transcritos mantêm a ortografia do livro, que foi escrito em 1939.

A’ margem do riacho dos Batataes, affluente á esquerda do rio Sapucahy-mirim, e á beira da estrada real de Goyaz, erguia-se, naquelles primeiros dias de 1801, pouco mais de meia duzia de casas de aspecto humilde, ao redor das quaes outras foram apparecendo. Para esse pequeno nucleo convergia, dada a sua situação, junto á única via de communicação entre as sédes da capitania e do Brasil e o sertão immenso de Goyaz, todo o commercio das quinze posses enumeradas, vastissimas todas, avançando leguas e leguas. Essa circumstancia concorreu, certamente, para que se desenvolvesse o pequenino povoado, que em 1810 já possuia um cemiterio de reduzidas proporções.
A 25 de fevereiro de 1815, dirigindo a capitania de São Paulo, na qualidade de capitão-general, o Conde de Palma, empossado a 8 de dezembro de 1814, e attendendo ao que, por intermedio de seu bispo, supplicavam aquelles honrados sertanejos um régio alvará do pacatissimo Senhor D. João VI, cantochanista e glutão, a quem chamava, aquella gente avessa á numeração romana o dom João vi, elevava o arraial dos Batataes á categoria de freguezia, sob a denominação de “Senhor Bom Jesus da Cana Verde”
O progresso sempre crescente daquella zona deixava á mostra a insufficiencia do local escolhido para a respectiva séde, não obstante sua boa situação á margem da estrada real. A idéa tomou incremento.
Após vários anos, quasi toda a população dos arredores havia adherido ao projeto. Digo quasi toda, porque dois velhos posseiros, Manoel Bernardes do Nascimento, dos Batataes, e Antonio José Dias, da Panciencia, eram, de maneira irreductivel, contrarios a transferencia tal, que feria indubitavelmente seus interesses.
Germano Alves Moreira e sua mulher, dona Anna Luiza, posseiros de São Pedro e Sant’Anna, doaram o terreno necessario para a constituição do patrimonio, á margem direita do ribeirão das Araras, e a provisão de 25 de setembro de 1821, tornava realidade a mudança, tomando a freguezia a denominação quilometrica de “Senhor Bom Jesus da Cana Verde dos Batataes”, desprezados os protestos de Bernardes e Dias.
E á medida que o velho arraial ia cahindo num triste abandono, até extinguir-se por completo, a nova povoação crescia vertiginosamente.
Dezoito annos mais tarde, a 14 de março de 1839, o doutor Venancio José Lisboa, nono presidente da Provincia, promulgou a lei nº 128, decretada pela Assembléa Provincial.
“Art. 1º - Haverá nesta Provincia mais uma comarca, composta de dois termos, o de Mogy Mirim e o de Villa Franca do Imperador: - a freguezia dos Batataes, pertencente a este termo, fica elevada á categoria de villa e sendo a cabeça do dito termo; a residencia, porem, do juiz de direito será na Villa Franca do Imperador, com vencimento de um conto e quatrocentos mil reis de ordenado.
Creado o municipio, a 29 de agosto do mesmo anno, installava-se o governo municipal, que deste modo ficou constituido:
Antônio Ferreira da Rosa Presidente...
Finalmente a lei nº 20, de 8 de abril de 1875, elevou Batataes á categoria de cidade e comarca.
No anno de 1872 Batataes era ainda um villarejo humilde de sertão. Os seus prédios não chegariam, talvez a duzentos. A povoação possuia tres praças, invadidas todas tres pelo mato, que vicejava inpunemente: - o largo da Matriz (hoje praça Conego Joaquim Alves), o largo do Rosario (agora praça Washington Luiz) e o largo da Cadeia (actualmente praça 15 de Novembro). As rua eram treze, - numero aziago – e as treze concordando inteiramente com os largos: - a do Chafariz, (Coronel Joaquim Rosa), a do Commercio (Celso Garcia), a de Cima (Coronel Pereira) etc...
Em outubro de 1886 o imperador D. Pedro II foi a Batataes afim de inaugurar o prolongamento da Estrada Mogyana.
Por volta de 1870 a freguezia contava com 13 eleitores e quinze supplentes, sendo Boaventura Ferreira da Rosa, dono da fazenda Prata, um dos eleitores supplente.
Na rua do Chafariz, assim denominada por causa de uma bica que havia, para servidão publica, estava localizado o sobrado da Familia Ferreira da Rosa.
A população do municipio, de tão vasto territorio, era de 8.881 habitantes, nesse total incluidos 2.506 escravos matriculados, mais de 28% , bella proporção.
Em 1885 era o capitão Antonio Ferreira da Rosa um dos tres supplentes do juiz municipal e de orphãos.
Advogava nos auditorios da comarca entre outros o Dr. José Feliciano Ferreira da Rosa.
Devido a um impedimento legal, os vereadores foram despronunciados e foi então chamada a administrar o municipio, durante o processo, a Camara transacta, que tinha entre seus membros Boaventura Ferreira da Rosa.
Durante a Semana Santa, na terça feira, sahia a procissão do Encontro, ás 17 horas da igreja do Rosario, hoje desapparecida, tendo cedido terreno ao actual Paço Municipal. A procissão parava em vários pontos “passos” e o quinto passo era na casa de Francisco Prudente Corrêa (Chico Prudente).
Em 1892 é narrado uma história sobre religião e mencionado que um caipira deixára o “cavallicoque” peado junto ao portão da casa do coronel Martinho Ferreira da Rosa.
Haviam tres festas tradicionaes: – a do Divino, a de São Sebastião e a do Padroeiro, Bom Jesus da Cana Verde. Algumas vezes essas tres festas eram celebradas na mesma época, uma após a outra, _ sexta, sabbado e domingo. O povo – homens, mulheres e crianças – entoavam hymnos laudatorios e havia um de predilecção do velho Manoel Rosa.
Em um relato sobre assombrações e crendices, conta-se que um assombrado, sentiu uma sensação extranha, uma coisa exquisita, e, quando deu accordo de si, estava  no capão do Quintino, junto da chacara de Manoel Rosa.
As familias visitavam-se amiudo. As visitas eram commumente á tarde, ás 4 ou 5 horas, depois do jantar, servido invariavelmente ás 3. Para uma visita de certa cerimonia era mobilisada a familia em peso: - marido, mulher, filhos, filhas, as crioulinhas infalliveis. E a familia visitada ficava na obrigação de retribuir a visita.
As familias reuniam-se amiudadas vezes, ora aqui, ora alli, em interessantes entretenimentos, como fossem os jogos de prendas, Entre os jogos, destacavam-se: - o “Cahir no poço”, a “Caixinha dos tres desejos”, “A Minha bocca”, “O Lampeão da esquina” etc..
Nesses serões eram também muito communs as adivinhações, “adivinhas”, diziam, quando não charadas daquellas antigas. Contavam que o doutor José Feliciano Ferreira da Rosa, habitué dessas reuniões, era uma negação absoluta para quebra-cabeças e não havia força humana que o fizesse metter o dente na mais simples adivinhação.
Movimento Republicano: A propaganda republicana chegou tardiamente em Batataes. Antes de 1882 falava-se na República como se falava na maçonaria: com medo.
A princípio só havia, em rigor, um republicano verdadeiro, propagandista decidido e denodado, -João Ferreira da Rosa, bacharel em pharmacia e lavrador.- escandalisando os conterraneos com uma vasta gravata vermelha, que, em tempos idos, era a cor republicana. Era o mais enthusiasta, disposto sempre a affrontar todas as iras monarchicas, promovendo conferencias, fazendo abertamente propaganda de seus ideaes e dando á sua pharmacia, de sociedade com Thomaz Martins de Araujo, estabelecida á rua 7 de setembro, a denominação de “14 de Julho”.
A 29 de julho de 1888 os republicanos batataenses constituiram um club. A assembléa foi realisada em casa do prestante cidadão Joaquim Ferreira da Rosa, na rua da Quitanda, sob a presidencia de Martinho Ferreira da Rosa, secretariado pelo irmão João Ferreira da Rosa. A essa memoravel sessão compareceram , entre outros, Boaventura Ferreira da Rosa, Joaquim Ferreira da Rosa Junior, Joaquim Prudente Corrêa, Henrique Monteiro da Silva. Acclamaram a seguir a primeira directoria do club, recahindo a escolha dos presentes em Martinho Ferreira da Rosa para presidente; doutor Manoel Antonio Furtado para vice-presidente; João Ferreira da Rosa 1º secretário etc..
A 6 de janeiro de 1889 reuniu-se o club em segunda assembléa, na residencia de Boaventura Ferreira da Rosa, no largo da Matriz. Entre os 16 presentes estavam Martinho Ferreira da Rosa, Antonio Ferreira da Rosa, Joaquim Ferreira da Rosa Junior, Joaquim Ferreira da Rosa Neto.
A 17 de novembro de 1889 o Dr. Herculano de Freitas foi a Batataes installar o governo republicano, e á memoravel sessão que nesta data se verificou, no salão das sessões da Camara Municipal. Cento e vinte e nove pessoas, das mais gradas, subscreveram a acta lavrada pelo secretário da camara, estando presente, entre outros Martinho Ferreira da Rosa, Boaventura Ferreira da Rosa, Joaquim Ferreira da Rosa Junior.
O Dr. Herculano propoz a composição de um governo provisorio local, em substituição da Camara Municipal, que ficava, apezar da adhesão, apeada do poder, governo esse constituido pelo doutor Manoel Antonio Furtado, Martinho Ferreira da Rosa e por um terceiro cujo nome não me acode. A abertura e encerramento da sessão foram assignalados pelas notas da Marselheza.
Diante disso, a Camara pintou-se de verde, vivou á Republica e mudou o nome do largo da Cadeia para praça 15 de Novembro.
Que seria Batataes naquella época?  Um terço talvez do que é hoje.Os casarões acaçapados, de largos beiraes, largas janellas e portas largas de uma só folha. Apenas tres sobrados, ou melhor dois, - o da familia Ferreira da Rosa, na rua da Quitanda e o da familia Arantes Marques no largo da Matriz, - pois o terceiro, era, antes, um simples sotão. As vias publicas limitavam-se a cinco largos e poucas ruas: o centro, o coração da cidade era o largo da Matriz, destacando-se ahi o velho sobrado da familia Arantes e abaixo, a casa do capitão Andrade, já então da familia Ferreira da Rosa e agora ocupada por um hotel.
Seguia-se em importancia a rua da Quitanda, outr’ora do Chafariz e agora Coronel Joaquim Rosa.
Possuia Batataes, quando da proclamação da Republica, 2 açougues, 4 alfaiatarias, 1 salão de bilhar, 1 salão de barbeiro, 7 capitalistas, 3 advogados, 2 engenheiros, 4 medicos, 6 officinas de carpintaria, 3 marceneiros, 2 bandas de musica, 13 engenhos de serra, 7 engenhos de cana, 1 entalhados, 11 casas de fazendas, armarinho e ferragens, 60 fazendas, das quais 20 de café, 1 fabrica de cerveja, 3 ferrarias, 1 fogueteiro, 3 funilarias, 11 casas de generos da terra, 1 hotel, o do “Commercio”, 9 casas de seccos e molhados, 6 machinas de beneficiar café, 4 olarias, 3 ourives, 2 padarias, 3 pharmacias, 2 pedreiros, 1 professora de piano, 1 pintor, 3 sapatarias, 3 selalrias, 2 ferradores, 2 trançadores, 4 guarda-livros e 1 typographia.
No dia 25 de janeiro de 1890 foi feita uma reunião para eleger o directorio republicano de cinco membros, que “dirigisse e cuida-se dos negócios e interesses do municipio e do partido republicano.de Batataes”. 268 cidadãos acudiram ao chamamento. O povo – diz a acta, referindo-se a esses 268 votantes, acclamou presidente da reunião o juiz de direito da comarca, doutor Simpliciano da Rocha Pombo e completando a mesa, entre outros, Martinho Ferreira da Rosa.
O doutor Pombo convidou, então o povo a votar em cinco nomes, á sua livre escolha, como se a escolha já não estivesse feita.
 A maioria dos votantes era lavrador, existindo porém, médicos, advogados, comerciantes, sapateiros, barbeiros, juizes, funcionário municipal, professores enfim uma representação uniforme da sociedade local.
Nota-se a ausencia inexplicavel de varios proceres que haviam recebido com satisfação, a 17 de novembro de 1889, a nova ordem de coisas, a começar pelo mais antigo e mais enthusiasta  João Ferreira da Rosa, bem como de outros membros da familia Ferreira da Rosa. Esses não têm justificação, a não ser o despeito de não haverem sido incluidos na escolha feita previamente dos nomes a serem “escolhidos” pelos votantes de 25 de janeiro.
Concluida a votação, teve o seguinte resultado, tendo sido empossados os cinco mais votados.

Martinho Ferreira da Rosa

265 votos

Lucio Eneas de Mello Fagundes

244 votos

Dr. Manoel Antônio Furtado

216 votos

João Ferreira da Rosa

9 votos

Joaquim Ferreira da Rosa Junior

7 votos

Joaquim Ferreira da Rosa

4 votos

Antônio Ferreira da Rosa

3 votos

Boaventura Ferreira da Rosa

2 votos

Conego Joaquim Alves Ferreira

1 voto

Aproximadamente em 1900, em virtude da primeira crise do café, começaram a apparecer os chamados clubes da lavoura e o primeiro a ser installado foi o de Batataes, tendo á sua frente o major Virgilio da Fonseca Nogueira, o doutor Honório Olympio Machado, o coronel Joaquim Ferreira da Rosa Junior e outros.
No livro “Gente da Minha Terra”, Jean de Frans presta uma especial homenagem à 23 batataenses ilustres, entre eles Manoel Ferreira da Rosa que considerava um homem essencialmente bom, que, se marcou época com suas excentricidades, se impoz também á consideração de todos pela rectidão de seu carater. Dedicado á agricultura, era dono da fazenda “Prata”, onde residia.
 

Outra fonte sobre a cidade de Batatais e sua evolução histórica é o trabalho do batataense e professor de história José Henrique Barbiere, iniciado em 1996.

A seguir trascrevemos alguns trechos de seus trabalhos, também relacionados a Família Ferreira da Rosa.
O vereador e presidente da Câmara Washington Luís Pereira de Souza durante a sua intendência tomou algumas medidas para melhorar as condições de vida do município, entre outras a aquisição, em 1898, de uma casa para o Paço Municipal, comprada do Tenente Coronel Martinho F. da Rosa por 26 contos de reis, casa situada na esquina do Largo da Matriz.
Grupo Escolar Dr. Washington Luís. Tudo começou em 1896, quando a 04 de agosto de 1896 foi lavrada a escritura de doação de um terreno situado a Praça Anita Garibaldi doado por Antônio Ferreira da Rosa e outros. Essa doação era para a construção do Grupo Escolar de Batatais, lavrada no 2º Cartório de Notas e Ofícios de Justiça no Livro 13 às folhas 96 verso.
A criação do chamado “imposto de carros” recaindo sobre os carros de bois, únicos veiculos daquele tempo, foi iniciativa da comissão permanente, submetido á apreciação da Câmara em sessão ordinária do dia 19 de janeiro de 1856. A Câmara era composta por vereadores e eram eles Joaquim Ferreira da Rosa, José Francisco de Carvalho Junqueira, José Antônio da Silva e Souza, José Frausino da Costa, João Damaceno Pereira e Camilo de Lelis Lopes de Oliveira, estando com a presidência o vereador Joaquim Rosa.
Eis a integra do projeto:
Artigo 1º - Os donos dos carros que moram dentro da vila pagarão, a taixa anual de pelo menos 3$000 rs por cada um e todos aqueles proprietários que transitarem na vila pagarão 1$000 rs da mesma taixa.
Artigo 2º - Os mencionados carros serão carimbados mostrando o ano.
Artigo 3º - Esta arrecadação será feita pelo procurador da camara e será aplicada nos consertos da vila.
O relógio da Matriz. Quando em 1897, por iniciativa do então vigário cônego Joaquim Alves Ferreira, foi reformada a Matriz que teve nova fachada além das modificações introduzidas em seu interior, o capitão Francisco Prudente Corrêa, abastado lavrador, ofereceu o relógio para ser instalado numa das torres. Era naquele tempo um magnifico relógio que foi colocado na torre à direita de quem penetrava na Igreja. Sua inauguração foi solene.
Em meados de 1900 o vigário aventou uma romaria à Igreja da Abadia, em Uberaba. Mas em Uberaba havia um jornal semanário, que entendeu de meter à brilha em termos ásperos contra a romaria, dizendo que haveria fuá com a chegada dos romeiros. Isso fez com que a maioria ficasse amedrontada e a romaria restringiu-se a noventa e quatro pessoas, mas foi realizada. José Camilo Lelis Jr. conduzia a cruz, ladeado por dois portadores de tocheiros, e a meia procissão o Quincas Neto (Joaquim Ferreira da Rosa Neto) empunhava um grande estandarte vermelho do sagrado Coração de Jesus.
Ruas de Batatais:
Em maio de 1886, a Câmara Municipal resolveu rever as denominações das vias públicas, de maneira que, quando D. Pedro II chegasse, para a inauguração da estrada de ferro Mogiana, encontrasse todas elas batizadas. A rua do Chafariz passou a ser Cel. Joaquim Rosa.
No dia 25 de outubro de 1886 dava-se a inauguração oficial da estrada de ferro Mogiana, com a presença de majestades imperiais.
A municipalidade delegou poderes a uma comissão de festejos constituídas de conspícuos batataenses, entre eles o Dr. José Feliciano Ferreira da Rosa.

Existiam na cidade três máquinas de beneficiar café, nas fazendas do major Antônio Garcia, do Boaventura Rosa e do Henrique Marques.

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Artigo da edição comemorativa do centenário de Batataes, publicado pelos periódicos "O JORNAL" e "FOLHA DE BATATAES", em 14 de março de 1939. Pesquisa da historiadora Luciana Squarizi.

CORONEL JOAQUIM FERREIRA DA ROSA FILHO
Por Uriel de Carvalho
Uriel de Carvalho era neto de Boaventura Ferreira da Rosa e Mariana Clara Villela.

Era ainda Batatais apenas Campo Lindo das Araras, sob o patrocínio de Bom Jesus da Cana Verde quando, no início do século XIX mudara-se de Minas Gerais, Antônio Ferreira da Rosa e sua mulher d. Dorothéa Claudina Vilela, fixando residência nos belos campos do Prata, ai instalando a fazenda do mesmo nome, que foi berço fecundo de uma das mais nobres e destacadas famílias desta terra. Filho de um ilhéo, também Antônio Ferreira da Rosa, que se casara com mineira, descendente de uma das célebres ilhoas que vieram para o Brasil algum tempo após seu descobrimento, nasceu em Espírito Santo dos Coqueiros, nas Minas Gerais, no ano de 1794 e sua mulher em Lavras do Funil.
(...) Sua casa constituía um verdadeiro ponto de encontro de reunião sempre numerosa, não obstante os rudimentares meios de locomoção daqueles tempos. Prestante e caritativo a todos acudia nas horas difíceis, substituindo muitas vezes, o médico nos socorros que prestava àqueles que amiúde a ele recorriam. De instrução rudimentar, era todavia amante da leitura e viveu sempre em busca  de meios que satisfazessem o seu espírito ávido de progresso e aberto a receber os bons conhecimentos que aos outros transmitia, sob a forma de conselhos úteis ao homem rústico, de então. Espírito sociável servia a todos  os meios de aproximação entre os seus amigos e vizinhos, promovendo reuniões  em que se cogitava do progresso e defesa dos interesses de sua pequena vila.
Essas suas qualidades comunicativas evidenciaram-se, nas disputas hípicas da época, as célebres cavalhadas, concorrendo aos torneios locais e vizinhos, graças a perícia de cavalheiro que era, juntamente com seus filhos, dotado. Nessas ocasiões, exibia belos animais de sua própria criação.
Desse casal nasceram oito filhos, dos quais devem ser destacados o Coronel Joaquim Ferreira da Rosa, pai do nosso biografado e d. Maria Theodora ( que foi casada com o Coronel Theodoro de Lima), cujas descendências constituem numerosas e distintas famílias desta zona.
Joaquim Ferreira da Rosa , nascido no ‘Retiro da Prata’, a 04 de março de 1820, e falecido a 15 de agosto de 1891, foi casado com Hypolita Carolina de Gouvêa, nascida a 16 de março de 1824 e falecida a 15 de março de 1892.

Herdara Joaquim Ferreira da Rosa, todas as qualidades que já distinguiram seu pai, destacando-se pela sua rara energia e austeridade de costumes. De invulgar capacidade de trabalho e iniciativa , foi com seus filhos fundador de importantes propriedades agrícolas neste município e, na capital do Estado foi proprietário de vastos terrenos, onde hoje se erigem os bairros de Jardim América, Jardim Europa, Gopoúva, Iguatemi e Pinheiros.
Foram filhos de Joaquim Ferreira da Rosa: d. Mariana Clara, d. Maria Carolina, d. Dorothéa Claudina, d. Anna Esmeraldina, o Capitão Antônio Ferreira da Rosa, o Coronel Martinho Ferreira da Rosa, o dr. José Feliciano Ferreira da Rosa e o Coronel Joaquim Ferreira da Rosa , nosso biografado.
Todos esses filhos de Joaquim Ferreira da Rosa constituíram a estirpe de numerosa e numerosa descendência, ligando-se pelos laços matrimoniais às famílias Pereira Lima, Prudente Côrrea, Andrade Junqueira e Toledo Cruz.
Aos 28 de outubro de 1857 nascia, no mesmo ‘Retiro da Prata’, o nosso biografado, herdeiro do nome de Joaquim Ferreira da Rosa e que foi um dos mais valorosos filhos de Batatais.
Casou-se a 30 de setembro de 1878, com sua prima em terceiro grau, d. Basília Hortência de Lima, filha de Joaquim Gonçalves dos Santos e d. Anna Theodora de Lima.
(...)
Homem de regular instrução, destacou-se , entretanto, na sua época, pelas suas extraordinárias qualidades morais.
De proverbial honradez, gênio expansivo, coração generoso e cristão, foi  assim que ao lado de Manoel Antônio Furtado, Nelson Viana, Capitão Viana, Capitão Paiva, Carneiro Leão e outros vultos destacados de então, fundou a primeira  Santa Casa desta cidade, que tantos benefícios prestou ao seu povo.
Político leal sempre militou nas fileiras do glorioso do Partido Republicano Paulista.
Morreu a 13 de janeiro de 1916, aos 59 anos de idade.

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